estar no hospital
newsletter #04
A Hospitalidade dos Hospitais
No hospital, como noutros espaços públicos, a total otimização do desenho espacial nem sempre é possível, tanto no que diz respeito à funcionalidade do espaço, como aos diferentes usos a que se destina.
Não é possível construir hospitais a cada momento, devendo-se sim, sistematicamente renovar as infraestruturas existentes adequando-as às novas necessidades, tendo em atenção que o espaço hospitalar está em constante mutação.
O incómodo que é a espera por uma consulta, o sofrimento das terapias, a atitude distante da postura técnica, acrescentam à desorientação sentida num espaço que em geral se apresenta labiríntico e sombrio. Estas são algumas das imagens que se prendem a muitas das instituições hospitalares.
Porquê as áreas comuns?
As zonas de circulação e espera, apesar de serem espaços comuns a todos os utentes, geralmente são esquecidas. Uma intervenção para a humanização do espaço hospitalar precisa de construir ambientes adequados aos utentes, onde o design de comunicação e a arte pública podem construir projetos abrangentes, participando numa organização do espaço, atenta ao bom acolhimento, transformando e melhorando a vivência nestes lugares, a orientação e estadia dos utentes nas zonas de circulação e espera.
Em constante mudança…
... são fulcrais num projeto para a humanização do espaço, ou seja, o que advém do design, da arte, ou de outros modos de tratar os espaços hospitalares, deverá ser integrado numa visão de conjunto do problema a tratar. Evita-se assim que diferentes disciplinas operem separadamente, tornando-as no processo de integração mais capazes de contribuir para a solução, em vez de resolver apenas a parte do problema correspondente à sua estrita competência.
A construção de um projeto de humanização do espaço hospitalar apoia-se em 3 ações:
(re)conhecer
(re)pensar
(re)fazer
que se cruzam em muitas situações. O prefixo (re) relaciona-se com a constante necessidade de transformação do espaço hospitalar, quer pela diversidade de intervenientes, quer pelas variações funcionais do espaço, que exige ações dinâmicas e flexíveis.
Na prática, o estudo do espaço é feito através do contato com a direção da instituição e com a observação direta do espaço; pelo registo fotográfico e gráfico de todos os espaços comuns; pelo uso de elementos complementares, como plantas e descrições históricas; pelo contato com os profissionais, pela realização de entrevistas orientadas para perceber preocupações e ideias. Espaço e profissionais contribuem para o entendimento do funcionamento de cada instituição.
Como seria para si a área de espera perfeita?
Responda para sofiarato@sofiarato.com